quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Apatia
Iníquo, Impróprio, Inoportuno e Imprevisto. Tudo seguido, de rajada, de repente e em debandada. Arrebatamento súbito de incúria. Inacabada demanda de intolerância. Depois, no rescaldo do restolho chamuscado, na apatia da insolente ressaca da inglória e vã batalha, fica tudo o que existia, o que era óbvio, determinado e desejado.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
A Gota
Quem me dera ser gota.
Gota que livremente cai do céu, deleita-se num salto em queda livre, rebola-se pela folha da couve, trilha o seu caminho envolvendo-se nela própria, ao sabor do seu próprio deleite escorrega lânguidamente na sua própria humidade até ao limite do seu trampolim, não salta, apenas se deixa cair e de novo em queda livre em macio solo aterra.
Trás brilho, trás alma, trás vida.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Dias assim
Há dias assim. Começam rudes e, enfadonhos, evoluem em estreitos corredores de infinita intermitência. Dias que parece que o que tinham para nos dar de bom já se tinha esgotado antes de começar. Que nos comprimem com o que de penoso já vinha de trás. Mas é esta a virtude da vida, também estes dias podem acabar bem e às vezes basta tão pouco. Assim foi, assim seja.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Sinuosidades
Tu sinónimo de incerteza, devastado por vagas agrestes de solidão. Enquanto o devir te guiar, a ambiguidade te dilacerar o âmago, expondo-te à inconstância da errante penumbra e o umbilical cordão do desassossego te sujeitar, então tudo o que em ti quer explodir, sempre soará a mudo grito de introspecção.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Miragem
Dia após dia, sempre desfiando minutos de imensidão longínqua, soam ao longe as vigorosas vagas do teu mar, ergues-te, revolves-te e não desistes.
Quão sedutor é o vaguear errante do que, no seu âmago leva toda a infinitamente pequena réstia de esperança.
E, assim atraído pelo horizonte, que de tão azul, te pinta de verde a esperança.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Murmúrios
Um murmúrio pode ser de tudo ou de quase nada, uma quase divagação ou preconceito. Confunde-se com um gemido que pode ser de dor ou do mais genuíno prazer. É um sussurro que deixa transparecer o que vai na alma, um lavar de angústias, depurar de tormentos e exorcismo de fantasmas. Murmuras porque temes ou porque tens esperança?
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