terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Vago


Vago não é um estado, nem um adjectivo que quantifica a ausência de precisão.
Quiçá um sentimento de indefinição, uma qualquer panaceia apêndice de devaneio delirante.
Vago não é um estado, tem um propósito de definição.
Vago é um sentimento.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Apatia



Iníquo, Impróprio, Inoportuno e Imprevisto. Tudo seguido, de rajada, de repente e em debandada. Arrebatamento súbito de incúria. Inacabada demanda de intolerância. Depois, no rescaldo do restolho chamuscado, na apatia da insolente ressaca da inglória e vã batalha, fica tudo o que existia, o que era óbvio, determinado e desejado.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A Gota




Quem me dera ser gota.
Gota que livremente cai do céu, deleita-se num salto em queda livre, rebola-se pela folha da couve, trilha o seu caminho envolvendo-se nela própria, ao sabor do seu próprio deleite escorrega lânguidamente na sua própria humidade até ao limite do seu trampolim, não salta, apenas se deixa cair e de novo em queda livre em macio solo aterra.
Trás brilho, trás alma, trás vida.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Dias assim



Há dias assim. Começam rudes e, enfadonhos, evoluem em estreitos corredores de infinita intermitência. Dias que parece que o que tinham para nos dar de bom já se tinha esgotado antes de começar. Que nos comprimem com o que de penoso já vinha de trás. Mas é esta a virtude da vida, também estes dias podem acabar bem e às vezes basta tão pouco. Assim foi, assim seja.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sinuosidades


Tu sinónimo de incerteza, devastado por vagas agrestes de solidão. Enquanto o devir te guiar, a ambiguidade te dilacerar o âmago, expondo-te à inconstância da errante penumbra e o umbilical cordão do desassossego te sujeitar, então tudo o que em ti quer explodir, sempre soará a mudo grito de introspecção.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Miragem


Dia após dia, sempre desfiando minutos de imensidão longínqua, soam ao longe as vigorosas vagas do teu mar, ergues-te, revolves-te e não desistes.
Quão sedutor é o vaguear errante do que, no seu âmago leva toda a infinitamente pequena réstia de esperança.
E, assim atraído pelo horizonte, que de tão azul, te pinta de verde a esperança.