terça-feira, 22 de março de 2011

Pegadas


Pegadas, marcas anónimas 
Confundem-se, iludem-nos e intrigam-nos. 
Firmes, escorregadias, belas e traiçoeiras.
Do estirador do arquitecto ou do martelo do pedreiro.
Serão verborreia de escultores, simples desenhos de calceteiro ou uma mensagem bem delineada?
Serão pegadas ou serão lágrimas?
Que interessa? 
Serão certamente marcas de saudade!

domingo, 13 de março de 2011

Pingos


Lentos, suaves, em tons de cinzento agrupados. Não são eufóricos, são simples sentimentos de calma apatia, sinais de sentida tranquilidade. Símbolos de um dia que, como as gotas, deslizou calmo, sereno e tranquilo.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Certeza



De Incerteza é feita a vida
Convicções, preconceitos
Desânimo e angústia mal parida

Da ânsia do devir, do surreal supremo
A amizade como âncora do destino
E nela alicerçado o desvario
Quando se entra no baço corrupio
E se encontra incrédulo a desfaçatez
Do doce se prova o travo do veneno 

Mas, aqui chegados sem pedir
Reúne-se toda a força que nos resta
Retira-se o que afinal de nada presta
Que o único caminho é seguir

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Vago


Vago não é um estado, nem um adjectivo que quantifica a ausência de precisão.
Quiçá um sentimento de indefinição, uma qualquer panaceia apêndice de devaneio delirante.
Vago não é um estado, tem um propósito de definição.
Vago é um sentimento.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Apatia



Iníquo, Impróprio, Inoportuno e Imprevisto. Tudo seguido, de rajada, de repente e em debandada. Arrebatamento súbito de incúria. Inacabada demanda de intolerância. Depois, no rescaldo do restolho chamuscado, na apatia da insolente ressaca da inglória e vã batalha, fica tudo o que existia, o que era óbvio, determinado e desejado.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A Gota




Quem me dera ser gota.
Gota que livremente cai do céu, deleita-se num salto em queda livre, rebola-se pela folha da couve, trilha o seu caminho envolvendo-se nela própria, ao sabor do seu próprio deleite escorrega lânguidamente na sua própria humidade até ao limite do seu trampolim, não salta, apenas se deixa cair e de novo em queda livre em macio solo aterra.
Trás brilho, trás alma, trás vida.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010