segunda-feira, 4 de abril de 2011

Início


Abruptamente, algo inexplicável
Sem motivo, rumo ou objectivo
Sucediam-se intrincados enleios.
À parte o que era insaciável
De enredado se tornava emotivo

Crescendo em aguarela lentamente
Cruzava-se em uníssono o desejo
À parte o que se rematava com um beijo
Ficava o embaraço entorpecente

O fogo, o sufoco, o arrepio
A lua, o tónico e a vontade
Testemunhas implicadas na verdade
Desde então e sempre o desvario

quinta-feira, 24 de março de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Pegadas


Pegadas, marcas anónimas 
Confundem-se, iludem-nos e intrigam-nos. 
Firmes, escorregadias, belas e traiçoeiras.
Do estirador do arquitecto ou do martelo do pedreiro.
Serão verborreia de escultores, simples desenhos de calceteiro ou uma mensagem bem delineada?
Serão pegadas ou serão lágrimas?
Que interessa? 
Serão certamente marcas de saudade!

domingo, 13 de março de 2011

Pingos


Lentos, suaves, em tons de cinzento agrupados. Não são eufóricos, são simples sentimentos de calma apatia, sinais de sentida tranquilidade. Símbolos de um dia que, como as gotas, deslizou calmo, sereno e tranquilo.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Certeza



De Incerteza é feita a vida
Convicções, preconceitos
Desânimo e angústia mal parida

Da ânsia do devir, do surreal supremo
A amizade como âncora do destino
E nela alicerçado o desvario
Quando se entra no baço corrupio
E se encontra incrédulo a desfaçatez
Do doce se prova o travo do veneno 

Mas, aqui chegados sem pedir
Reúne-se toda a força que nos resta
Retira-se o que afinal de nada presta
Que o único caminho é seguir

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Vago


Vago não é um estado, nem um adjectivo que quantifica a ausência de precisão.
Quiçá um sentimento de indefinição, uma qualquer panaceia apêndice de devaneio delirante.
Vago não é um estado, tem um propósito de definição.
Vago é um sentimento.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Apatia



Iníquo, Impróprio, Inoportuno e Imprevisto. Tudo seguido, de rajada, de repente e em debandada. Arrebatamento súbito de incúria. Inacabada demanda de intolerância. Depois, no rescaldo do restolho chamuscado, na apatia da insolente ressaca da inglória e vã batalha, fica tudo o que existia, o que era óbvio, determinado e desejado.