quinta-feira, 12 de maio de 2011

Caíu-me o céu


Caíu-me o céu
Sem estrondo nem explosão
Evidente pela ausência do trovão
E óbvio pelo que o antecedeu

Não tocaram as sirenes
Os alarmes não soaram
Do âmago inútil brotaram
Essências e perfumes tão perenes

O tempo corre
Escoam-se as horas
Todos os minutos que demoras
A decifrar aquilo que em ti morre

Alavanca de Arquimedes
Balança de mercador
Agudiza a ténue dor
Pois matá-la não consegues

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Disco voador





Sem rumo, objectivo ou propósito,
por serranias calcorreando os infindáveis
e inóspitos trilhos da esperança.
Se ao longe o vale te parece que alcanças
a cruz pelo caminho é jugo certo
o peito sempre num profundo aperto
a férrea vontade de prosseguir
e a linha do horizonte a dividir
o céu como desejo e rumo certo
que o importante é descolar e prosseguir.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Aprisionado




Aprisionas-me a alma por um fio
lento, leve e amargurado.
Num suave enrolar escorregadio,
de rompante exasperado
e em lume frio,
do sopro esbaforido do bafio,
que o vento tudo leva maltratado.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Montanha Russa



Voltas da vida às voltas
suspenso embalas na emoção
Desces em delírio a curvilínea alma
que a subida contigo ao lado faz-se calma

Matas de desejo essa agonia
embruteces empanturras-te de pagode
Para quem tudo quer e tudo pode
o sentir bater à porta a noite fria
Traz-te ais e delírios de alegria

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Início


Abruptamente, algo inexplicável
Sem motivo, rumo ou objectivo
Sucediam-se intrincados enleios.
À parte o que era insaciável
De enredado se tornava emotivo

Crescendo em aguarela lentamente
Cruzava-se em uníssono o desejo
À parte o que se rematava com um beijo
Ficava o embaraço entorpecente

O fogo, o sufoco, o arrepio
A lua, o tónico e a vontade
Testemunhas implicadas na verdade
Desde então e sempre o desvario

quinta-feira, 24 de março de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Pegadas


Pegadas, marcas anónimas 
Confundem-se, iludem-nos e intrigam-nos. 
Firmes, escorregadias, belas e traiçoeiras.
Do estirador do arquitecto ou do martelo do pedreiro.
Serão verborreia de escultores, simples desenhos de calceteiro ou uma mensagem bem delineada?
Serão pegadas ou serão lágrimas?
Que interessa? 
Serão certamente marcas de saudade!