segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Noturno


Agora que os dias se vão e as noites se alongam, ficam ainda na memória as cores quentes das efémeras noites de Verão. Do ritmo das luzes ao brilho da estrada, das casas onde já houve vida e das vidas onde já houve histórias.
De tudo isto se fez a vida, de todas as vivências se fazem os momentos, que embalando-nos nos ludibriam no efémero caminho para o infinito.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Insurreição


Sim. Se me perguntarem o porquê de me insurgir contra a leve brisa que sem querer, sem nada fazer para o provocar, desgrenha e descompõe o que não lhe pertence. Imiscui-se e aventura-se pelo que é alheio e em desalinhado desvario o pânico provoca. Se me perguntarem se é meu esse direito e que fiz eu para o merecer, que prazer, que vontade essa de me ludibriar a mim próprio e questionando o que é natural, me sentir empurrado para a indefinição.
Que sorte, que provocação, quem me mandou a mim mesmo questionar-me. E porquê a brisa, essa bem amada e inefável criatura? A que nos ameniza a tortura do tórrido calor de verão.
......
Excerto...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O que há-de vir


No lento e pachorrento começar da jorna, estremunhados ainda do sono mal terminado, não era a deslumbrante vista com o Douro ao fundo, que os alegrava.
Essa, a do cartaz turístico, para eles estava mais que batida. O que os fazia seguir, era o ganha-pão, os cobres que por ali se podiam conseguir naquela altura do ano e iriam servir para amenizar o inverno.
Bem, no mais imediato, também os fazia andar para a frente, a certeza que pouco depois das nove, haveria o mata-bicho. O cheiro ao bacalhau frito, as rodelas de salpicão, o queijo e a marmelada eram garantidos. Haveria mais adornos com certeza e tudo acompanhado pelo pão centeio do Tua e regado com o tinto da colheita anterior, servindo de mote e premonição ao que por ali se praticava e que teria continuação no lagar, nas cubas, nas pipas e nas garrafas. Algumas, bebidas por ali, outras a decorar montras de lojas por esse mundo fora, levando mais além o nome de uma região, a bandeira de um país que possuía como petróleo, como riqueza primária, um néctar aconchegante do corpo, da alma e até de algumas carteiras e contas bancárias, fosse em Portugal, no reino de sua majestade ou em outra qualquer parte do mundo, pois para as gentes da região, para além do orgulho de terem o melhor vinho do mundo, pouco mais restava. O resto era literalmente paisagem.


P.S. Excerto do que há-de vir!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Castanho expectante

Pinceladas de fim de verão
O tempo evoca outrora
e as lembranças

No rosto estampado o verde errante
Pelo peito reflectido
Um castanho expectante

Nas costas tatuado em letras graves
Suportado por sumptuosas traves
O vil  e generoso
Vermelho verdejante

Mais um passo, uma légua
Uma vida!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

... e mais um verso




Lês a minha alma na primeira palavra
Essa forma anárquica de remar
Cada verso um novo desafio
Desvendas-me, descobres-me, desmascaras-me
Do ventre o interstício a algazarra
Desfias-me no lento percorrer de vista
Divisas-me de forma opaca e sempre hermética
Sumária a análise que o tempo morre
Concluis-me sem me soletrar
Tudo se resume num ponto final
…e mais um verso!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O fim do princípio


Agora, que parece que o fim do verão dá início ao seu começo (!!!), é tempo de lazer, de frescura, leitura e recolhimento. Há também quem trabalhe...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Vereda



Estás só no meio dos teus pares
Que é feito do tempo?
Qual o sentido da ressaca?
Sobes para o lado
Desces para baixo
E por sendeiros exíguos
Veredas, calheias e estrumeiras
Poeira, escolhos à mistura
Tropeças, morres ressuscitas
Sempre há uma réstia
Uma ténue ligação ao infinito