terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Rasteira



De fobias, percalços e embaraços
Repentina e persistente melancolia
Corre, deambula em ousadia
Desatina e estrebucha envolta em braços

Vassalo é o fragor que a dor consome
Afago as tristes rugas com a mão
De toda essa vasta imensidão
Sobra a tristeza que não dorme

E, por fim em ti bate certeira
Cínica e sempre repentina
Envolta em laivos de ruina
A típica, vil, cruel rasteira

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Aerogeradores e ambientalistas




Rodou a chave da ignição e num ápice estava já nas curvas e contracurvas da sinuosa estrada que o levaria às outras curvas que lhe toldavam já o discernimento.
Ao longe viam-se as luzes de Lamalonga. No cimo de um monte, já do lado sul, piscavam as lâmpadas sinalizadoras de um aerogerador, praga esta que em nome do progresso, do ambiente e de coisas afins que os políticos se lembravam de inventar, invadia a linha do horizonte e, como um abcesso, toldava todo o bom ambiente visual que por ali se abarcava.
Como normalmente, os problemas ambientais criados pelos citadinos senhores urbanos, acabam por ter repercussões nos aldeões senhores rurais que em nada contribuíram para os criar, mas que a eles e às suas exigências ficam sujeitos.

Armando Sena

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Soldado Persistência




Como tudo na vida, quando estamos prestes a desistir, quando achamos que já não nos resta a mínima hipótese de encontrar pelo menos uma amostra, que seja, do que tão empenhadamente procurávamos, quando estamos prestes a virar as costas ao campo onde a batalha da nossa persistência estava a um passo de ser perdida para os nossos fantasmas do desencanto, comandados pelo general desistência, eis que sem a mínima réstia de esperança, esbarramos com o tal diamante que nem no mais colorido dos sonhos tínhamos a ousadia de vislumbrar.

P.S. fraquinha a foto, sorry

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Viagem



"Ouvindo o apito emitido pelo comboio, avisando de que era tempo de partir, aproveitou também a deixa e diligente dirigiu-se para a carruagem onde tinha deixado as suas coisas.
Com um sorriso, estendeu-se à vontade num banco de três pessoas todo para si.
Sabia que a seguir parariam na Rede, do lado esquerdo veria o verde das encostas, o xisto dos socalcos, os cruzeiros do Douro vendendo ilusões, os carros a serpentear na estrada uns metros abaixo. O sol, o mais brilhante sol do seu mundo refletindo os seus raios nas pedras dos vinhedos, dando de forma leal o seu contributo para a criação do mais nobre dos néctares.
A seguir viria o fresco trazido pela verdejante paisagem do concelho de Baião, depois o Tâmega…
Nesta parte já o sono tomava conta do mapa turístico que era a sua cabeça. O sono, que nem a vontade e a certeza quase absoluta do paraíso, conseguia vencer."

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Apetece-me




Apetece-me escrever,
Passar às letras o que aqui dentro vou desfiando
Aliviar a carga
Acrescentar ao dito, ao escrito
Pensar que escrevendo
Vou libertando,
E seguindo nas asas da pena
As penas me escorregam pelas letras.
Apetece-me escrever!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Perspectiva




Perspectiva que de uma forma ou de outra te encaminha,
te ilude, te engana, te tendencia.
Por caminho ou carreiro, a um nível mais elevado
Pela areia oblíquo ou concorrente
com rasto de um descalço pungente.

Ao longe, a miragem, a desenvoltura da liberdade
O rebentar de uma onda, o sonho do vazio
A procura do escape
A ignorância como busca do saber!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Noturno


Agora que os dias se vão e as noites se alongam, ficam ainda na memória as cores quentes das efémeras noites de Verão. Do ritmo das luzes ao brilho da estrada, das casas onde já houve vida e das vidas onde já houve histórias.
De tudo isto se fez a vida, de todas as vivências se fazem os momentos, que embalando-nos nos ludibriam no efémero caminho para o infinito.