"No meio deste cenário estava Tiago. Por entre os dedos definhava lentamente mais um cigarro, o terceiro do segundo maço de hoje. Este, o não oficial, escondido na meia direita. O outro, o oficial, entre os fumados e os cravados, tinha acabado logo a seguir ao almoço.
Na rua interior do complexo, para além das visitas circunstanciais, caminhavam sem rumo nem nexo alguns dos companheiros de infortúnio. Incessante e insistentemente pediam algo: uma moeda, um cigarro, um café, qualquer coisa, quanto mais não fosse para chamar a atenção.
Rostos marcados pelo drama, olhares vazios, expressões de desalento ou de puro frenesim, consoante as circunstâncias. De qualquer forma, por todos eles se sentia uma franca, estranha e até incompreensível solidariedade."
Armando Sena




