terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Prólogo



"Desde o berço até à tumba, toda a fase de aprendizagem a que a vida nos obriga, é um longo e exíguo caminho de escolhos, percalços mas também prazer, alegria e recompensa.
No equilíbrio entre uns e outros se completa a vivência e o seu sucesso.
Toda a existência, passando pelo tempo de amadurecimento, que durará tanto como a própria existência, levará à plenitude do saber. Este objetivo é garantido, embora por si só não seja quantificável.
Todo o desejo de triunfo total, pela utopia do conceito, parece condenado ao fracasso. O saber lidar com o sucesso incompleto, pode ser a forma mais eficaz de o ultrapassar e conseguir atingir os objectivos traçados....."

P.S. Prólogo do que há-de vir.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Mudo Éter



Da pacatez, o mito, simples, ténue, longo e lento
A calma do longínquo calor de outrora
Lembrança de verde e húmida sensação
Já não nas paginas do livro que devoras.

Ao longe há uma ponte e o infinito
Mas a calma que te atrai não faz efeito
Segues e mergulhas no vazio
Que o éter não tem voz
E o viver não é defeito

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Miragem




As silhuetas que refletem o teu humor
O fumo que as leva em rodopio
Na brisa em que se fundem,
Se entristecem,
Desvanecem.
E descendo se consomem,
À terra se entregam por um fio,
Desaparecem no mais profundo ardor.

Porque é tão vago o teu olhar?
Porque é tão triste o teu gostar?

Será do sempre mundo ausente
Ou apenas do infinito procurar?


Excerto do que há-de vir

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O peso dos prós




Vislumbra-se um novo caminho.
Um tempo, depois da azia deixada pelos últimos dias de banquete.
O verde que traz a esperança nem sempre anima,
Desfaz-se na calma e sensaborona sensação inútil,
Que depois das festas vem a luz.
Mas, pesados os prós, assim será.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Do sagrado e do profano



Neste lento e pachorrento período
que medeia o Natal e o novo ano.
Tempo em que se festeja o sagrado e se vive o profano.
Por entre o alegre reflexo branco das geadas,
o cinzento do melancólico nevoeiro,
no extremo sem fim do fim do ano,
se divisa o tempo que acabou.
Mas é frio, muito frio.
Ao longe, fica o longe das coisas quentes.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Solidariedade ou o sapatinho do Menino




"No meio deste cenário estava Tiago. Por entre os dedos definhava lentamente mais um cigarro, o terceiro do segundo maço de hoje. Este, o não oficial, escondido na meia direita. O outro, o oficial, entre os fumados e os cravados, tinha acabado logo a seguir ao almoço.
Na rua interior do complexo, para além das visitas circunstanciais, caminhavam sem rumo nem nexo alguns dos companheiros de infortúnio. Incessante e insistentemente pediam algo: uma moeda, um cigarro, um café, qualquer coisa, quanto mais não fosse para chamar a atenção.
Rostos marcados pelo drama, olhares vazios, expressões de desalento ou de puro frenesim, consoante as circunstâncias. De qualquer forma, por todos eles se sentia uma franca, estranha e até incompreensível solidariedade."

Armando Sena

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Rasteira



De fobias, percalços e embaraços
Repentina e persistente melancolia
Corre, deambula em ousadia
Desatina e estrebucha envolta em braços

Vassalo é o fragor que a dor consome
Afago as tristes rugas com a mão
De toda essa vasta imensidão
Sobra a tristeza que não dorme

E, por fim em ti bate certeira
Cínica e sempre repentina
Envolta em laivos de ruina
A típica, vil, cruel rasteira