sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Prólogo I
"...Da paz e da harmonia, da temperança e tenacidade, nasce a força necessária para enfrentar o dia-a-dia. Depois do dia vem a semana, os seus conjuntos formam os meses, isto, numa espiral que parece sem fim.
Mas não, esse é o primeiro equívoco, o fim deve ser um dos nossos princípios. Quando se começa a entendê-lo, tem-se então uma mais aprofundada perceção de que a vivência faz-se dos minutos, das horas, dos dias e, claro está, nesta sequência, uns a seguir aos outros...."
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Prólogo
"Desde o berço até à tumba, toda a fase de aprendizagem a que a vida nos obriga, é um longo e exíguo caminho de escolhos, percalços mas também prazer, alegria e recompensa.
No equilíbrio entre uns e outros se completa a vivência e o seu sucesso.
Toda a existência, passando pelo tempo de amadurecimento, que durará tanto como a própria existência, levará à plenitude do saber. Este objetivo é garantido, embora por si só não seja quantificável.
Todo o desejo de triunfo total, pela utopia do conceito, parece condenado ao fracasso. O saber lidar com o sucesso incompleto, pode ser a forma mais eficaz de o ultrapassar e conseguir atingir os objectivos traçados....."
P.S. Prólogo do que há-de vir.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Mudo Éter
Da pacatez, o mito, simples, ténue, longo e lento
A calma do longínquo calor de outrora
Lembrança de verde e húmida sensação
Já não nas paginas do livro que devoras.
Ao longe há uma ponte e o infinito
Mas a calma que te atrai não faz efeito
Segues e mergulhas no vazio
Que o éter não tem voz
E o viver não é defeito
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Miragem
As silhuetas que refletem o teu humor
O fumo que as leva em rodopio
Na brisa em que se fundem,
Se entristecem,
Desvanecem.
E descendo se consomem,
À terra se entregam por um fio,
Desaparecem no mais profundo ardor.
Porque é tão vago o teu olhar?
Porque é tão triste o teu gostar?
Será do sempre mundo ausente
Ou apenas do infinito procurar?
Excerto do que há-de vir
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
O peso dos prós
Vislumbra-se um novo caminho.
Um tempo, depois da azia deixada pelos últimos dias de banquete.
O verde que traz a esperança nem sempre anima,
Desfaz-se na calma e sensaborona sensação inútil,
Que depois das festas vem a luz.
Mas, pesados os prós, assim será.
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Do sagrado e do profano
Neste lento e pachorrento período
que medeia o Natal e o novo ano.
Tempo em que se festeja o sagrado e se vive o profano.
Por entre o alegre reflexo branco das geadas,
o cinzento do melancólico nevoeiro,
no extremo sem fim do fim do ano,
se divisa o tempo que acabou.
Mas é frio, muito frio.
Ao longe, fica o longe das coisas quentes.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Solidariedade ou o sapatinho do Menino
"No meio deste cenário estava Tiago. Por entre os dedos definhava lentamente mais um cigarro, o terceiro do segundo maço de hoje. Este, o não oficial, escondido na meia direita. O outro, o oficial, entre os fumados e os cravados, tinha acabado logo a seguir ao almoço.
Na rua interior do complexo, para além das visitas circunstanciais, caminhavam sem rumo nem nexo alguns dos companheiros de infortúnio. Incessante e insistentemente pediam algo: uma moeda, um cigarro, um café, qualquer coisa, quanto mais não fosse para chamar a atenção.
Rostos marcados pelo drama, olhares vazios, expressões de desalento ou de puro frenesim, consoante as circunstâncias. De qualquer forma, por todos eles se sentia uma franca, estranha e até incompreensível solidariedade."
Armando Sena
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