..."Ao seu lado alguém, porque há sempre alguém que nos dá a mão, cedia-lhe as pontas dos dedos. Ele nem percebia que eram dedos finos e esbeltos, compondo uma mão também fina e extremamente elegante, de mulher. Dedos carinhosos de afeto e aconchego. E assim, de mão dada, partilhavam o caminho até ao recolhimento.
Continuava e nem percebia se a mulher que o acompanhava era sua companheira de desventura, se partilhava a mesma ala do hospital com ele ou se era apenas uma visita. Se era real ou algum anjo da guarda que alguém lhe tinha enviado.
Ao chegar à porta, após o toque da campainha e a chegada de uma enfermeira, muito bonita como quase todas elas, da abertura da porta fechada a sete chaves, teve a resposta.
Ela entrou com ele para dentro da sua ala. Era então companheira de desgraça. Desgraça, aventura, desventura, isolamento, reencontro, solidão, recolhimento, renascimento ou outro qualquer termo que não iria alterar nada ao estado atual de ambos.
E no corredor, espraiavam-se no cinzento de um cérebro amorfo, ténues recordações de outrora."
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