“Artur gostava daquele jeito decidido de Filipa. Apetecia-lhe uma coisa, investia nela. Sem grandes planificações, sem premeditações.
Pelo contrário, ele era o típico financeiro, o homem do planeamento. Tudo tinha que ser ponderado, pesado, avaliado. No fim, perdia-se todo o prazer do imediato, da descoberta, do imprevisto. Filipa era o seu contraponto.
Pensava nisto já a caminho de casa. Aí chegado, tomaria um banho, escolheria a roupa peça por peça, a cor das meias que combinariam com a camisa e por fim, poria o perfume que Filipa lhe tinha recomendado anteriormente.
Passou-lhe a angústia, parecia outro. O andar, era agora firme, decidido. Só ela o punha assim.
Passaria ainda pelo centro comercial para comprar uma prenda a Filipa e, depois sim, partiria. Seriam ainda uns longos e extenuantes quilómetros até ao paraíso.
O toque de uma mensagem no telemóvel despertou-lhe então os sentidos.”
Armando Sena




