segunda-feira, 2 de julho de 2012

Dormente



Longe levo a vontade ausente
Num passo, breve e escuro como bréu
Do perto, o dócil é tão só, dormente
Que em pálido e baço ardor se converteu
Escorre o mundo por entre os dedos
em laivos de amargura e de torpor.
Tão só, talvez, seja a vontade
O querer fugir ao frágil fragor
Do ardente possessivo sentimento
Que implodiu em lento e mudo tremor
E tal como chegou, desapareceu.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Tratado




Nos sedentos contornos do opaco
Fica o vago e impuro sentimento
Que da sorte e do mau fado
Da barbárie e do tormento
Criaram as bases do tratado

Tornou-se avassalador desejo
Do futuro incerto o augúrio
Da desdita o vago murmúrio
Mas sempre na busca do sustento
Eis que num inesperado lampejo
Chega a vaga que trás o tal portento

Nada mais procura, para quê
Com isto tudo basta, já se vê

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Memorial




No prado, que é repouso da angústia
Se o verde, leve encanto
e a força de um desejo ardente te levar,
docilmente, sem culpa nem pesar,
aí depositarás os despojos de amargura de um ser errante.

Sem mácula edificarás o Memorial da expiação!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Alento




Não será de bom grado ou doce pranto
Nem sequer a amargura o seu sustento

Será talvez o leve e eminente ocaso
Ou o breve mas opulento acaso

Da sorte partilhar o lado errado
E, quando já perdido, desnorteado
As costas volta ao tormento
E descobre que nem tudo é finado

A esperança regressa no momento
Que se pensava tudo terminado
E com ela, volta o perdido alento

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Um ano de "Na Demanda do Ideal"




Na Demanda do Ideal, o meu primeiro livro, faz hoje um ano. O que parecia uma utopia, transformou-se em realidade há 366 dias. Um ano de experiências únicas, de desafios e também concretizações.
Chegado a esta altura, é tempo de traçar novos objectivos, assim, estas apresentações em Mirandela e Bragança, completando o ciclo transmontano, encerram, pelo menos para já, a promoção do livro.
A todos os que me têm acompanhado nesta caminhada, com especial carinho, à Lua de Marfim Editora e à minha família, o meu sincero agradecimento.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Cálido




Na lembrança ressuscito o amanhã
Do peito, que foi prado que tomaste

O caminho, os socalcos , as veredas
Criando uma ilusão de vitória temporã
O ardor de flamejantes labaredas
Que posto o sol rompiam em contraste

A mão, que sem cuidar o rosto toca
Em riste, um dedo fino e acusador

Mas, malgrado a coragem que evoca
A boca desgoverna em tremor
Perde o controlo e o rigor
Pois que o peito arfa e a alma trota

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Firmeza




A firmeza não é um lugar comum
Um refúgio, de biltres e tirania
Em tempos onde escorre,
a pérfida arbitrariedade
do peito cheio e alma vazia

É a consciência do querer
Da livre inquietude da procura
Do ventre, as entranhas afoitar

Mesmo que em vão fuja o suporte
É firme a vontade de almejar
E vã será até a própria morte