segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Xeque




Não será a inconstante leviandade
Propósito de extrair a incerteza
Em rubras esperanças embalada
Travestida com gestos de nobreza
A quem deixou cair a falsidade

Assim brilhante auréola fina
Do leve e mais ousado entorpecer
Sem ritmo a alma bebe em lentos tragos
Ecléticos, alcoólicos mas amargos

Sorve-os em sufocante arfar
Tornando-se até torpe no ousar,
E sem brilho cai, mas docemente,
Ressuscita a alma e a própria gente

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Demanda




Demanda-se por caminhos traiçoeiros
Busca-se o que nunca sempre foi
Na esperança que um dia sempre seja.

Será da esperança que sempre nos ajuda
Da cegueira que na procura nos guia
Ou da vontade que o dia seja ontem?

Pois que amanhã sempre volta
E nos trás de novo a lembrança
Que só desiste da procura
Quem nunca se sentiu atraído
Quem no mundo anda persuadido
Que a esperança não existe
ou que um ideal não persiste.

Não, que prossiga a vontade
Que nos guie a liberdade.
De poder,
porque assim queremos prosseguir
Na demanda do nosso ideal

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Exuberante




No Fogo que interiormente o consome
Terramoto de Sentimentos incontáveis
Fluir de agruras, ténue Imensidão

Expõe-se o que sempre foi presente

Incontornável delírio
Incontrolável Desejo
Necessidade premente
Proximidade Ausente

Exuberante a presença
Estímulo do que foi, é e será

Que a ausência não decreta
Nem a distância afecta

Então,
Porque tremem os teus dedos?

quinta-feira, 19 de julho de 2012

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Arriba do murmúrio




Vai-se a brisa que fez ecoar o teu murmúrio
Suave como chegou se evadiu
Trouxe de ti as novas que deixaste

Pelo meio em segredo definiu
A estratégia que serviu de mau augúrio

O palato afinado corroeu
Que de tanto arfar se consumiu

E no momento de saber quem concedeu
A virtude de tamanha ousadia
Partiu, que era tarde, já temia
Não ter fôlego pra voltar enquanto dia

Que a noite, traiçoeira, como é
Toda a obra podia perigar
E tolher a empreitada de voltar
Sem antes libertar a euforia

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Para a Helena (Parabéns)



Também para ti que não me entendes, escrevo.
Que te queixas de ser a matemática das palavras
mais complexa que a química das sensações!

Que lês e que gostas do que vês
mas esbarras no labirinto das minhas letras.

Mas, o querer em contorná-las,
a leveza da aprendizagem,
o rasgado sorriso desenhado nas finas linhas dos teus lábios,
são apenas o astrolábio que indica
não ser então vã a certeza
de que escrever será também um prazer teu
que o gosto pela leitura já fortaleceu.

E tudo isto em ti, para orgulho meu!

terça-feira, 10 de julho de 2012

Enredo




Que encantos e segredos encerras
Num misto de nostalgia ausente
O certo, que  é sabido, como sempre
Será enredo merecido, certamente

Talvez um misto de euforia
Daquilo que já foi e não voltou
Da leveza do sorriso
Do toque dos dedos
Do leve ondular que o vento promove
Da argúcia a quem sempre se socorre

Marca de charme que provoca
O efeito que sem ele tudo se troca
E pelo qual, até o infinito corre