terça-feira, 29 de janeiro de 2013

…e mais um verso


 
Lês a minha alma na primeira palavra
Essa forma anárquica de remar
Cada verso um novo desafio
Desvendas-me, descobres-me, desmascaras-me
Do ventre o interstício a algazarra
Desfias-me no lento percorrer de vista
Divisas-me de forma opaca e sempre hermética
Sumária a análise que o tempo morre
Concluis-me sem me soletrar
Tudo se resume num ponto final
…e mais um verso!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Existes



Sabe o vento por que a ele todos confessam
A Lua, pensa que sim, na sua vaidade
Do Sol, não sei, não tenho evidência
Suponho que provém desta dormência
Da demanda incessante da vontade

Um dia, uma só vez, assim será
Na sombra do Suão do fim da tarde
Virá pois tórrida a verdade

Será então certo e sabido
Tomado assim, como decreto
O que ao céu escapou por descabido

Existes, basta, tudo está certo!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A Vida num Sonho





No próximo dia 2 de fevereiro é apresentada uma Antologia em que participo.
Para os que quiserem estar presentes, aqui fica o convite para a apresentação.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Voo rasante




Em voo rasante, do infinito, volto
Atrás do monte só me esperava a ironia
Essa, apareceu cedo, já se previa

Do fel tirou o doce, bebeu o sonho
E quando nada mais havia para levar
Sentou-se na aridez da nostalgia
Aí, fez casa, prolongou a estadia

Depois do banquete terminado
De minar o que restava da saudade
Subiu ao pedestal do desencanto

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O que te anima?


O suave sentir do fim da tarde
O enganador idílico pôr-do-sol
O nostálgico enfadonho anoitecer
O efémero e ilusório sonho
O irritante e pontual acordar
O revigorante fresco do banho
O potente e violento trovejar
A chuva triste e sensual
O enleio do vento tentador
O dia que de novo te guiar
Ao fim da tarde
Ao pôr-do-sol 
Ao anoitecer

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Embalada





Entre o inóspito dos cardos
E o agreste dos seixos onde crescias
Sob a Providência que a sombra fornecia
E do inclemente sol de Agosto protegia

A folhagem que era ténue
Solidária e sempre pronta
Amenizava a hipócrita geada

Nem a neve, princesa enganadora
Em ti inclemente penetrava

Fruto da mesma semente
Da flor que em jardim era regada
Tu, isolada, exposta, maltratada
À mercê de qualquer boca inclemente

Talvez, quem sabe, era esse o dom
Que em ti criava esse tom único
O perfume que só tem a liberdade
Que o céu e as estrelas
São as únicas cercas
De todo esse reino que é o teu