Não me espanta o vento
Só lhe conheço o ímpeto
Nem o nevoeiro
Que intenso te esconde de mim
A geada branca e fria que te toma
O degelo que foi verão de
nostalgia
Nem sequer a brisa ténue que
refresca
De sóis intensos que um dia
conheceste
No deserto que era leve e
insensato
Um oásis ao longe em verde
esperança
Era miragem que a sede de ti me
provocava
Mas no suave ressuscitar da
madrugada
Que trombetas um dia anunciaram
Nesse tempo em que tudo era um
sonho
Que a vida se servia por um cálice
Sonhar era exercício inútil
O real era tomado como bênção
Como orgia divinal da criação
Que transforma todo esse esforço
em vão,
Acordar para a cruel realidade
De um sonho em que tudo era real
Antologia – A Vida num Sonho