quinta-feira, 16 de maio de 2013

Flor de Fruto



Se flor fosse, seria laranja
Oriunda do perfume intenso
Agora já fruto colorido
Surgido entre as tuas pétalas

Em casca rugosa cresceria
Que lisa e perfeita não é vida
Redonda seria como a lua
Cheia, em quartos dividida

Daria sumo que refresca a sede
Vitamina que anula a dor
Frescura em sol intenso
Cor, vida, sentimento

Se fruto for serei amora
Silvestre, nascida entre os espinhos
Adornada por flores de giestas
Colorida e intensa como a noite

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Semente


Tomo nas mãos o equilíbrio
Desatado que foi em dia Não

Na água que em teu rio desagua
Solto a pétala do ardor imenso
Da rosa que floriu por esquecimento

Em ondas descendentes sobre o leito
Repousa e desce flutuando

Será mar, nuvem, chuva, sentimento
Voltará alegre um fim de tarde
Dará vida ao que era já semente
Alimentará de novo a origem,
Essa fonte de onde vem o teu alento

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Um ponto



Esgotam-se os dias que faltam
para amanhecer
Romper como a luz da nova aurora
Faltam no entanto dias de mais.

Sinto a privação do cheiro a esperança
Invade-me a angústia da ausência
Assalta-me a lembrança
do que foi entardecer,
dos dias de liberdade infinita,
do que era meu sem restrições.

Levo então comigo a euforia
E volto leve com a ilusão

De ver-te nascer
Na boca espelhado um sorriso
Sentir que também sonhas com o luar
E confirmar que nada foi em vão

segunda-feira, 22 de abril de 2013

A Razão



A Razão

Esfumou-se nos dias que foram sentimento
Baço é agora o aroma que a evoca
Sentia que era luz que perseguia
Em vão, pois cego era o caminho

Do alto onde a saudade dominava
O nada era só um sentimento
Provindo do ventre
onde morria antes do parto

Restava o desejo
de ter o céu nas mãos

Será talvez da razão
ter perdido o sentido
Ou o sentido já não ter razão?

domingo, 14 de abril de 2013

Bélica


Sabes-me a sol e a encanto
Em dias de primavera avassaladora
Corres em regatos
Na água que fevereiro criou
E abril em rios tratou de multiplicar

Explodes com a graciosidade dos gomos
Que a natureza obriga a desabrolhar
Depois do frio que em todos se entranhou
E o receio de o tempo não chegar

Mas, eis que volta a liberdade refrescante
De poder ser rio e um dia o mar beijar
Fluir dentro da alma ardentemente
Detonada por um rastilho sazonal

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Surgi




Sou brisa, fruto fora de época
Do alto da montanha desci
Pelo vento norte trazido
Dei à costa em madrugada de bruma

Era para ser parto seguro
Em noite de lua cheia
Foi o que foi
Não a perfeição prevista
Nem o sonho destinado

Foi o fado fadado
Embalado no ritmo do advento
Rumando ao eterno almejado
Estorvado pelas pedras do caminho
Em doca seca ancorado

Sempre rumando ao crepúsculo
Em busca da nova aurora

quarta-feira, 20 de março de 2013

Sulcos de lava





Soltam-se dos dedos lava pura
O chão que a sustem não a espera
Rubra, leve, como a alma que transporta
Escorre pelos sulcos que outrora
Poesia brilhante recitavam
E agora de escuro se pintaram
Enrijeceram até à solidão
Aniquilados em frémito e tormento
De ter dado à peçonha seguimento
Mergulharam na profunda agonia
De ter em vão ampliado o sofrimento
Mas leve como o fogo é a paixão
Que liberta de novo o alento
E escorraça tudo o que era servidão.