quarta-feira, 25 de setembro de 2013
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Sorriso
Não me desvendes o sentir
Sou sopro de um vento que sonhaste
Liberto corri por entre os lábios
Numa noite em que o sonho transbordou
E o reflexo incontrolável da alma
se espelhou
Não busques a chave
que decifra o enigma
Desígnio de um sonho infundado
Pretenso desejo exagerado
remédio da ventura
ou sentimento imaculado
Não busques, para quê?
Tudo isso é ofuscado pelo traço
Subtil, matreiro, maroto, sensual
O único sentido do sentir
Um Sorriso nos lábios espelhado
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
...um dia
um dia sem querer hei de escrever
as páginas soltas de uma vida
das minhas letras sairá a viva alma
o teu rosto em forma de um verso
um sorriso será a pontuação
das palavras que juntas o compõem
o teu jeito terá esse condão,
libertar a forma e o sentido
um dia terei essa ousadia
de pegar numa folha vazia
e enchê-la de todo o sentimento
não sei se o feito é de relevo
se não foi já mil vezes repetido
ou se daí virá algum remédio
Mas,
um dia sem querer hei de escrever
tudo aquilo que sempre um dia quis
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Dúvida
Sou restolho que o sol mirrou
Poeira
que o vento endoideceu
Horas
que um dia concedeu
Tempo
que a luz alimentou
E
o desejo apenas permitiu
Sou
conclusões de fim de verão
Ânsia
da frescura prometida
Colheita
há muito esperada
Fim
do estio programado
Promessa
de um novo ciclo desejado
Será
que serei o que seria
Se
a vida só tivesse por um dia
E
tudo não seguisse o mesmo mote?
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Toque
Não busco na sombra
do destino
O rasto de um sopro
que eras tu
O aroma do teu
corpo deslizante
O sabor de um
momento que foi nosso
Um ventre onde
ancorava a minha barca
O aconchego da
memória inoportuna
Dos lábios onde
cabia o desejo
O som de cítaras
vibrando
Num melódico trecho
musical
Interpretado por
solista virtuoso
Que mesmo num desempenho divinal
Sucumbia ao prazer
de imaginar
O solo mais
pungente conhecido
O murmurado som da tua voz
Busco num cenário
conhecido
Que me leva a um
estado divinal
E tudo que se diga é
desigual
Ao toque das tuas mãos nas minhas
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Miragem
À luz da lua que
brilhou no teu deserto
Que iluminava um
oásis que era meu
E verde como a
esperança alimentava
Um desejo que
vendia esperança
Dispo-me de toda a amargura
Da seara que
cresceu em peito aberto
Do centeio que a
ceifa prometeu
E de tudo o que um dia era meu
Mas as cores também
vacilam
A luz, mesmo a mais
forte desvanece
Difusa torna-te distante
E o oásis que era o
fim do teu caminho
Funde-se na ilusão
de um destino
Pura miragem,
desatino
E aí te mantém,
perdido, errante
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Sinais dos tempos
Sempre sabe a pouco a virtude
Opulenta que pareça e desabrida
Mesmo que em bandeja oferecida
Mansa dádiva em mão estendida
Sempre será mais vistosa e pretendida
A lábia e trôpega falácia
A que floresce em meninos de carreira
Exorta sempre a verborreia
Resulta como nada em estrumeira
E descamba no final em implosão
Nada a poderia sustentar
Oca, vaga, de lascar
Alimenta simplesmente a ilusão
Do ciclo da burrice propagar
Mas quando de madura cai
É sempre em vão
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