Sentei-me à janela do tempo
Não me lembro de quando me encontrei
Se no limite do ocaso
Num silvo do medo
Num pingo de chuva fora de tempo
Na fresca gota de orvalho
Ou apenas pela rua divagando
Abrigado pela sombra de um vento
desmedido
Entre os secos ramos da solidão
perdido
Envolto na penumbra de um destino
inacabado
Fechei de novo a portada
Regressei a um tempo que controlo
Na folha despejei mais uns suspiros
Do copo sorvi um novo fôlego
E do calor do fogo um novo alento
Lá fora cai a chuva de outono
Batida pelo vento que alimenta
cá dentro o fogo do encanto
cá dentro o fogo do encanto






