quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Pausa



Tivesse eu o poder naquele momento
de privar da terra o movimento
guardar só para mim eternamente
o efémero momento de magia
Transformá-lo em doce alegoria
de posse de um bem que é intangível

Gravar essa imagem recortada
de tuas finas curvas sensuais
das mil e uma cores que só tu tens
que para lá dos montes são banais
e deste lado moldam ideais
Elas, a origem da saudade

Pudesse eu parar este momento
Tirar daqui todo o alento
E mergulhar no ventre da vontade


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Infinito


Coubesse todo o mundo nos teus olhos
Esses, onde vive algum do meu
Donde parte a nobreza e a candura
A alegria e a sincera honestidade

A beleza que não cabe nas palavras
O sentir que sempre foi algo teu
Que primeiro está alguém porque merece
E nem tudo é premente, porque é

Antes, estará a harmonia,
tudo tem um porquê de racional!
Afinal sempre haverá prioridades
A primeira será a alegria
As outras, por impérios de magia
A seu tempo, terão oportunidade

Seria assim tudo sempre simples

Coubesse todo o mundo nos teus olhos.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Simetrias




Sentei-me à janela do tempo
Não me lembro de quando me encontrei
Se no limite do ocaso
Num silvo do medo
Num pingo de chuva fora de tempo
Na fresca gota de orvalho
Ou apenas pela rua divagando

Abrigado pela sombra de um vento desmedido
Entre os secos ramos da solidão perdido
Envolto na penumbra de um destino inacabado

Fechei de novo a portada
Regressei a um tempo que controlo
Na folha despejei mais uns suspiros
Do copo sorvi um novo fôlego
E do calor do fogo um novo alento

Lá fora cai a chuva de outono
Batida pelo vento que alimenta
cá dentro o fogo do encanto

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Sorriso





Não me desvendes o sentir
Sou sopro de um vento que sonhaste
Liberto corri por entre os lábios
Numa noite em que o sonho transbordou
E o reflexo incontrolável da alma
se espelhou

Não busques a chave
que decifra o enigma
Desígnio de um sonho infundado
Pretenso desejo exagerado
remédio da ventura
ou sentimento imaculado

Não busques, para quê?

Tudo isso é ofuscado pelo traço
Subtil, matreiro, maroto, sensual
O único sentido do sentir
Um Sorriso nos lábios espelhado

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

...um dia


um dia sem querer hei de escrever
as páginas soltas de uma vida

das minhas letras sairá a viva alma
o teu rosto em forma de um verso

um sorriso será a pontuação
das palavras que juntas o compõem
o teu jeito terá esse condão,
libertar a forma e o sentido

um dia terei essa ousadia
de pegar numa folha vazia
e enchê-la de todo o sentimento

não sei se o feito é de relevo
se não foi já mil vezes repetido
ou se daí virá algum remédio

Mas,
um dia sem querer hei de escrever
tudo aquilo que sempre um dia quis

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Dúvida



Sou restolho que o sol mirrou
Poeira que o vento endoideceu
Horas que um dia concedeu
Tempo que a luz alimentou
E o desejo apenas permitiu

Sou conclusões de fim de verão
Ânsia da frescura prometida
Colheita há muito esperada
Fim do estio programado
Promessa de um novo ciclo desejado

Será que serei o que seria
Se a vida só tivesse por um dia
E tudo não seguisse o mesmo mote?