quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Dias claros



Gosto do suave sentir dos dias claros
Da sombra que sem sol não existia
Do calor que sem luz era ilusão
Do sentir que irrompe da leveza
que a cinza abandonou
o verde floresceu
e o azul acompanhou

Assim divagando em mar calmo
Onde tudo encaixa em harmonia
No sopro do encanto, da certeza
que a vida tem mais do que um só dia
e não se esgota no efémero do momento
é cor, prazer e terno alento

O suave sentir dos dias claros
A doce tentação da alegria

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Inverno


Não há um inverno de sentir
Nos dias de um ano que se acaba
Transportado ao som do movimento
Das folhas que castanhas se tornaram
e planando num bailado ensaiado
deixaram despida a esperança
Caindo em solo enrijecido
pelo belo, agreste e falso gelo

Há, sim, dias de chuva intensa
Que alimentam o caudal da nostalgia
Desaguam na torrente da lembrança
E com a turbulência dos festejos
Provocam cheias de vazio

Não há um inverno de sentir
Senão muitos dias de desejo

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Horas


Falam-me de um sol a ocidente
Trazendo prenúncios de ocaso
Encerrando mais um eterno capítulo
levando consigo o cansaço
as agruras de um dia infinito
e desaguando numa linha de horizonte
onde toda a lembrança é enterrada

Recordo um sol a oriente
Onde todo o anseio era esperança
Presságio contagiante de alegria
Vontade de viver toda uma vida
Num dia,
nas horas que preenchem a eternidade

Entre um e outro um interregno
o luar prateado da vontade

ou a penumbra face da saudade

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A varinha de condão


Se um dia possuísse o condão
Dos momentos o sumo abarcar
Do tempo eliminar a opressão
Deste encarceramento rotineiro
As amarras libertar
Levantar a carga que comprime
E toda a angústia aliviar

Seria a leveza da vida
O sentimento
O momento que procuras
O alento
De que sempre um por do sol
Ou um céu cinzento
São prenúncio de alegria divinal

Afinal sendo tudo tão efémero
Resumindo-se à razão, à harmonia:

Haja calma para esperar um bom final!

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Demanda




Um palmo nos separa da euforia
A um dedo de distância a ilusão
Perdidos no labirinto da inconstância
Errando na perfídia cintilante
De um dia ser pedaço do almejado

Peça de um conjunto sonhado
Atalho para a liberdade eterna
Aguarela de um quadro imaginado
Motivo da foto perseguida
Cena da peça agendada
Meta da corrida inacabada
Sobremesa do banquete iniciado

Valerá por certo a vontade
Pois incerta é a própria vida
E eterna será sempre a procura

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Folha



Sou folha de árvore sentimento
Em verde, primavera de esperança
Madura venço o fulgor do verão
Refresco a vontade mais afoita
Escondo o rubor da ousadia

Mesmo a tender para o outono
Estimulo o sentimento, a Poesia
Desperto em tons acastanhados
As cores mistificadas do encanto

Mas, mirro, seco e um dia
À mercê da intempérie perco o pé
Envolta numa dança chego ao fim
Descendo para o meu leito final

Encerro a minha história sazonal
Valeu a pena ser sonho e vida breve
Cumprindo o meu desígnio natural