quarta-feira, 16 de julho de 2014

Pausa


Mergulho no descanso dos sentidos
Abrigado à sombra de um vento brando
Enfrentando as vagas do sufoco refrescante
De dias em que a pressão é o lazer

Faço uma pausa, assim espero.


Boas férias

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Sempre


Não se abate com um dedo decisor
O sabor de saber que ainda existem
As cores de um olhar de alegria
Por entre um esgar serpenteando

No canto dos lábios rematando
Um momento emoldurado no infinito

Não foi sol que as flores desabrochou
Ou humidade que o verde explodiu

Foi um dom que criou esse esplendor
A verdade refletida num momento
O sonho traduzido em alento


Um reino onde tudo é possível

domingo, 22 de junho de 2014

torrente


Mais um que corre
por entre a multidão de apressados
Mergulhando num dia que conheces
Enfrentas as horas do dever
Deixas-te levar nessa corrente
Do ter que ser, do que é urgente

Das partes que somadas nunca dão
o todo que sempre foi inatingível
mas de tanto ser citado se tornou
miragem, utopia, desatino

Esqueceste porém que nessas horas
Se havia algo que merecesse
o cuidado, a eterna proteção
mais que tudo, a tua atenção
não era o tão adorado sustento
eras tu, em todo e qualquer momento

Amanhã há outro dia
Sem ti, nada existe!

domingo, 8 de junho de 2014

eternidade




Entre as sombras
Que cobrem o sentir do fim da tarde
Navego pela réstia do momento
Sinto o que ficou de dias quentes
Na brisa do sussurro que era ardente
Vindo de um lugar que eras tu
Soprado por um sonho inacabado

Fugaz é o tempo infinito
Comparado ao instante desejado
De um momento apenas

A eternidade
Dos segundos contados pelos dedos
Mas, plenos de viver
Sentir
Ser

Entre o sol
Que me convida a voltar
A um mundo onde já vivemos

terça-feira, 27 de maio de 2014

Difusa


No que se torna a ténue réstia de histeria
Que os longos dias de maio alimentaram
Fizeram criar no teu encanto
A liberdade de um sonho adormecido

Difusa se tornou a lembrança
do calor que emana da tua voz
do som vibrante do teu olhar
percorrendo o universo que há em mim

Suave é a ternura do encanto
Como leve o ondular de um desejo
O voltar da cabeça, um lampejo

A serenidade recortada
na curva de uns lábios
onde mergulho

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Tangível


Consulto o calendário intemporal
Das horas que vivemos sem saber
Do tempo que infinito imaginava
Embora contado em minutos
De um todo que era apenas
Uma ínfima parte do prazer

Consumimos os segundos dos momentos
Que a areia branca acolhia
E em palavras entrecortadas
O vento contrafeito sussurrava

Perdia-me num refúgio imaginário
Convertido no único sentido possível
Que os dias podiam almejar

Seria assim tangível o irreal
Ou a vontade de o infinito alcançar?

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Caminho


Na complexa e tortuosa demanda
do fio dos dias conquistar
as marcas das pegadas apagar
almejando um descanso imaginado

Abriguei-me numa chuva de delírios
expus-me à sombra
de uma aragem persistente
na esperança de assim, seduzido
poder num fim de tarde descansar

Mas sendo certo e fatal
integrando o manual da alquimia e
colorindo os compêndios da memória
nem todas os dias são tardes de domingo
nem todo o vento é pronúncio de encanto

Afinal emparedado entre dois lóbulos
desfocado pela ausência e o descrer
era só mais uma etapa ultrapassada
dos caminhos que assaltam a lembrança