quarta-feira, 15 de abril de 2015
Sento-me à Primavera
Sento-me à Primavera
repouso à sombra
de um silêncio melancólico
procuro na brisa,
que pungente abana os sentidos,
ecos de um ser que desafia
movimentos que outrora
eram normais
Retorno ao eu
que um dia fui.
Projecto-me na finita razão
dos dias ténues.
Da lembrança emergirá
o que foi bom,
melhorado pela poeira do destino
transformando na razão
de uma vida
as vivas cores de um céu lilás
Da lenta evolução do silêncio,
surgirá o fulgor de um novo Eu.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Metade de mim
Cansa-me o desejo de sentir
vontade de tocar o infinito
cantar versos de sonhos inacabados
mover metade de mim
sentir o mundo
viver os detalhes do momento
como da vida inteira se tratasse
e tudo um piscar de olhos
conquistasse
De pequenos nadas é feito tudo
das pequenas variações
de gestos ténues
de tudo aquilo que
não temos
Mas vã é a angústia
se tudo o que nos resta
é perseverança
sábado, 21 de março de 2015
V
Os anos são apenas um pormenor incontrolável do tempo que torna a vida um labirinto de sensações únicas.
Na magia dessa falta de controlo, está a essência da liberdade, pois eterno é apenas o efeito de um sorriso.
Viva-se um dia como se a isso se resumisse a felicidade.
quarta-feira, 11 de março de 2015
Eco
O
cetim em que envolves as palavras
Ecoando
na bruma de um sussurro
Brilha
mais que o encanto da magia
Dos
dias em que envolto em lava
Te
busco nos cantos do destino
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Raízes
Sou...
Sou ramos de árvore
secos pela inclemência de dias tristes
nus pela ação do desencanto
Fui folhas
que a voraz vontade destruidora
dos dias que vendiam ilusões
deixaram colados na ilusão
de um rosto ausente
Deixei de ser
já não sou
o tronco que sonhava
o céu suster,
vencia com vigor
a nostalgia
Mas um dia não integra
os momentos
Nem sol nem vento nem desdém
Nada vence o ardil
de um sonho eterno
Nada abate a raiz
de um sentimento
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Bocejo
Paro num assomo de deslumbre
Pausando a jornada fatigante
Desligo-me do óbvio serpentear
Da urgência de o nada acabar
E continuar na inócua tarefa
De dar corda a um relógio
Com ponteiros mas sem marcas
Imerjo num abstrato sentimento
Absorvo as notas soltas do momento
Tento captar os aromas
De um dia de outono extenuante
Não sei se esta música era para mim
Se o desempenho é apropriado
Ou um misto de desdém desafinado
Mas, que importa a dúvida momentânea
Dada a alegria do momento
Utopia, talvez, mas num instante
Tomei o mundo num bocejo
Libertei-me das garras do real
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