terça-feira, 14 de julho de 2015
Ecos
Busco no sítio onde guardo os sentidos
ecos de um refúgio improvável.
Descubro-os facilmente
perseguem-me
estão no sítio de onde nunca saíram.
E lá, onde os visito
mora o guardião dos sonhos
a chave que desvenda o paraíso.
Lá volto, a eles pertenço.
domingo, 5 de julho de 2015
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Passos lentos
Mãos que remexem por
instinto
Semblantes imutáveis que
eram vida
Violentam percorrem o insensível
Torturam num lamento de vontade
Viajam por um limbo
expetante
Retiram das entranhas,
Onde se suponha nada mais
haver,
Movimentos sufocados
Torpes, desajeitados,
Esmagados contra a
violência do imprevisto
Até que de uma ruga se faz
alento
De um piscar desajeitado
De um sorriso desgrenhado
Vindo de um rosto
tresmalhado
Se acende um fugaz
lampejo
Um sopro, uma acendalha
Um novo despertar de
esperança
Passos lentos de vontade
extrema
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Semblante
O instante é
tão só,
o limbo dos sonhos vindouros
um lapso momentâneo de razão.
Sabes, todos sabemos, o maior sorriso
é o que existe no semblante dos justos.
O teu, enche o mundo.
quinta-feira, 30 de abril de 2015
O Eco do Silêncio
Ficam-me os ecos do silêncio
Que sovam num murmúrio de lamento
Por entre os penedos da lembrança
Correndo como cristalinas águas de desejo
Vago era o teor da imensidão
Que enquadrava os momentos de torpor
Rugindo num horizonte opressor
Apesar do deslumbramento fulgurante
Que só a natureza imensa proporciona
Vivi mil vezes o momento
Como só o sonho tal permite
Deixei para trás cumes e serras
Desci ao ventre do paraíso
Ficou-me na turva retina
O dom de um reino
Que só os despojados
Almejam possuir
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Sento-me à Primavera
Sento-me à Primavera
repouso à sombra
de um silêncio melancólico
procuro na brisa,
que pungente abana os sentidos,
ecos de um ser que desafia
movimentos que outrora
eram normais
Retorno ao eu
que um dia fui.
Projecto-me na finita razão
dos dias ténues.
Da lembrança emergirá
o que foi bom,
melhorado pela poeira do destino
transformando na razão
de uma vida
as vivas cores de um céu lilás
Da lenta evolução do silêncio,
surgirá o fulgor de um novo Eu.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Metade de mim
Cansa-me o desejo de sentir
vontade de tocar o infinito
cantar versos de sonhos inacabados
mover metade de mim
sentir o mundo
viver os detalhes do momento
como da vida inteira se tratasse
e tudo um piscar de olhos
conquistasse
De pequenos nadas é feito tudo
das pequenas variações
de gestos ténues
de tudo aquilo que
não temos
Mas vã é a angústia
se tudo o que nos resta
é perseverança
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