terça-feira, 13 de outubro de 2015

A curva dos duendes


Na curva de um prenúncio de outono
que as marcas da intempérie anunciam
nas cores de uma manhã de tempestade
aí onde se escondem os encantos
de duendes e artífices benfazejos
ilusionistas de um mundo de encantos
que apenas
existe
no âmago
de um olhar
de nostalgia

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

À noite


À noite, ao som das estrelas que livres vagueiam no seu caminho infinito, corre, debaixo de um manto de encanto, um rio que atravessa o paraíso.
À noite tudo existe, porque a noite é liberdade.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Ao som do vento



Quem me der um dia repousar
Na difusa visão dos dias simples
Inspirar a leveza que só sente
Quem percorreu amplos horizontes
Despojado de preocupações
Liberto da tenaz dos compromissos
Absorto dos males que pejam
O infindável diário dos inconstantes
Voar num assomo de evasão
Descolar rumo ao infinito
Mergulhar num lago de palavras
Que se entranhem em mim
Me revelem novas do entardecer
Voltar liberto dos momentos
Que compunham a lua em quatro quartos
Trazer nas asas da lembrança
Os ritmos de um ocaso
Em tons de laranja colorido
Então, no sussurrar das serranias
Repousaria
Aí, nas encostas da montanha
Montava o esteio da bonança

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Ocaso


Lá, onde parte de mim repousa
À espera da outra que vagueia
Que tarde a encontrar-se,
enleia-se,
perde-se no encalço do vazio
Mas, pacientemente espera
Nunca é tarde para nos encontrarmos

Atrás de um monte
Muito para cá do infinito
Aí, onde o sonho habita
De mim mesmo tirarei férias

Todos os momentos serão ocaso

terça-feira, 14 de julho de 2015

Ecos



Busco no sítio onde guardo os sentidos
ecos de um refúgio improvável.

Descubro-os facilmente
perseguem-me
estão no sítio de onde nunca saíram.

E lá, onde os visito
mora o guardião dos sonhos
a chave que desvenda o paraíso.

Lá volto, a eles pertenço.

domingo, 5 de julho de 2015

Retalhos


Somos retalhos
A manta que nos junta,
nos cose, como trapos,
rugosos, gastos, desbotados,
é a vida.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Passos lentos


Mãos que remexem por instinto
Semblantes imutáveis que eram vida
Violentam percorrem o insensível
Torturam num lamento de vontade
Viajam por um limbo expetante
Retiram das entranhas,
Onde se suponha nada mais haver,
Movimentos sufocados
Torpes, desajeitados,
Esmagados contra a violência do imprevisto

Até que de uma ruga se faz alento
De um piscar desajeitado
De um sorriso desgrenhado
Vindo de um rosto tresmalhado
Se acende um fugaz lampejo
Um sopro, uma acendalha
Um novo despertar de esperança


Passos lentos de vontade extrema