terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Os sons do silêncio



Sentado, ouvindo o som de um pássaro
que livre dizimava a solidão
de todos aqueles que em redor
apertados no espartilho de dias perdidos
buscavam a aurora esbatida
das manhãs que tardavam em ser dia

Levantou-se, cismado no silêncio
olhando em redor o horizonte
não havia cor, brilho, prado ou monte
das paredes brotava o som estridente
o murmúrio dos momentos
não lamentos
mas vida que se fez de agitação

Sentou-se de novo
se paz em algum mundo havia

toda aí estava concentrada

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Um conjunto de Nada


O tecido em que se estampou a artimanha
Tinha por base a honradez
Tecida com fios de bondade
Cosido por laivos de inocência
Bordado em singelas nervuras de encanto
De tímidos recortes debruado
Na singeleza de um sorriso embainhado
Era um todo de ironia almofadado
Engano puro, embuste traiçoeira
Vã rasteira, fútil presunção
Afinal era só pérfida ilusão
Rematada por mesquinha
Rasteira e vil soberba
Era um vazio conjunto de

Nada

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Fraga da Ventosa


Amigos, criei este rótulo para um vinho que produzi este ano.
A vossa opinião era muito bem vinda, quer sobre o texto, imagem e grafismo.
Obrigado.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

A curva dos duendes


Na curva de um prenúncio de outono
que as marcas da intempérie anunciam
nas cores de uma manhã de tempestade
aí onde se escondem os encantos
de duendes e artífices benfazejos
ilusionistas de um mundo de encantos
que apenas
existe
no âmago
de um olhar
de nostalgia

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

À noite


À noite, ao som das estrelas que livres vagueiam no seu caminho infinito, corre, debaixo de um manto de encanto, um rio que atravessa o paraíso.
À noite tudo existe, porque a noite é liberdade.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Ao som do vento



Quem me der um dia repousar
Na difusa visão dos dias simples
Inspirar a leveza que só sente
Quem percorreu amplos horizontes
Despojado de preocupações
Liberto da tenaz dos compromissos
Absorto dos males que pejam
O infindável diário dos inconstantes
Voar num assomo de evasão
Descolar rumo ao infinito
Mergulhar num lago de palavras
Que se entranhem em mim
Me revelem novas do entardecer
Voltar liberto dos momentos
Que compunham a lua em quatro quartos
Trazer nas asas da lembrança
Os ritmos de um ocaso
Em tons de laranja colorido
Então, no sussurrar das serranias
Repousaria
Aí, nas encostas da montanha
Montava o esteio da bonança

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Ocaso


Lá, onde parte de mim repousa
À espera da outra que vagueia
Que tarde a encontrar-se,
enleia-se,
perde-se no encalço do vazio
Mas, pacientemente espera
Nunca é tarde para nos encontrarmos

Atrás de um monte
Muito para cá do infinito
Aí, onde o sonho habita
De mim mesmo tirarei férias

Todos os momentos serão ocaso