segunda-feira, 24 de abril de 2017

De volta





Se os olhos contassem a tua história
Não traíssem como o fazem sem querer
Lembrassem tempos em que foste liberdade
Soubessem de que cor é a vontade

Interpretassem o murmúrio do desejo,
o que dizem lábios finos a tremer
Decifrassem o rubor do amor ardente
Mostrassem como é a dor da ausência
reflexo e espelho da saudade
Mentissem num não que era sim

Tudo isso é o poder da Esperança
Soberania em duas esferas compactada
O supremo sentido do sentir
a mais pura face da verdade

Ecrã onde a alma é projetada

quarta-feira, 15 de março de 2017

Nasces


És fluido, sequência dos momentos
Som da água que anuncia
o fim do estio
Silêncio de todos os momentos
em que a palavra era excesso

Início de todo o infinito
Destino para onde tende o horizonte
És linha do tempo
Calor de um suspiro

Curva do sorriso
Cofre onde repousam as lembranças


Fazes-me nascer a Primavera

domingo, 12 de fevereiro de 2017

No som do vento



Do vento que o frio trazia
nada esperava
Apenas um clima que era o meu
no meio da geada onde crescemos

Era um gesto, o gozo, a harmonia
ou
A ternura, a lembrança, a anarquia

No meio das mãos em concha
a ilusão
no som do sorriso
a emoção
Por trás dos silvos das serras
a lembrança
Toda a que o infinito não apaga
Perene, persiste inabalável
Sabe-se, não se prescreve,

Intimidade não é palavra vã

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Do sinceno, a carambina


Despeço-me

Não que um dia tenha almejado
do sinceno retirar a escuridão
do frio húmido de inverno
respirar o inebriante gelo 
tornado em elegante carambina

Não, apenas busquei
dos dias calmos 
tomar a imensidão
E das cores do nordeste 
fazer um colar de recordações.

Adeus 2016

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Foste luz


Por entre as linhas divisórias da ilusão
Lá onde o horizonte é infinito
Uma lua esbracejava por chegar
Ao limite da ilusão de um sopro efémero
Mas, típica, matreira e persistente bruma
Travavam a ousadia da vontade
Sobrou então em euforia
O que até ali transbordava em desencanto
Fundiu-se o desejo
Soçobrou perante a noite a tirania
Sucumbiu à vontade das estrelas

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O segredo



Entre o longe e o escuro
Esconde-se
Um sem fim de ilusões

De umas, resulta nada
De outras
O infinito

De ambas, a necessidade
De perseguir, num fôlego
O que a vida nos tem escondido
Atrás de uma pincelada
Mirrada por mil anos
De espera

Um sem fim de segredos

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Supremo


Carece de necessidade
a busca do infinito
quando à nossa volta
supremo
brilha por toda a parte
o paraíso

De coisas simples
se fazem
eternas alegrias

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Não é aqui





Sou um ponto no caminho que percorro
No meio da encruzilhada
tento decifrar as referências
Será aqui
onde os duendes esconderam
sob um manto tépido
o mapa que me indique o regresso
ao tumulto de um dia quente
De onde se aviste um mar
pintado de vibrantes címbalos
anunciando a aurora desejada

Não, viro costas, não é aqui!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Sinuosidades



Nas linhas sinuosas de um fim de tarde
transportado na brisa que insiste em me acordar
contorno a imensidão de uma tarde de verão
retendo o sabor a vinha, a rio, a lembrança.

Todo o mundo cabe na imagem de um sorriso
recortado na difusa imagem de um dia quente!

domingo, 19 de junho de 2016

Somos montes



Somos montes
Juntos, construímos montanhas
Entre nós,
por curvas, estreitos, cascatas
desalentos,
corre a esperança

Em breve seremos mar

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Sob um céu azul divino


Cai um manto de vontade
sobre o vago e abrangente desígnio
de todo o horizonte possuir

Lembra ecos
de um entardecer longínquo

Das ondas
desenhando em tons rubros
a convicção do crepúsculo conquistar

Na firme certeza
contando estrelas
de fazer o destino ajoelhar

Na teia serpenteante
dos incontáveis tons
saber que um dia
serão nossos

Os sonhos condensados
numa brisa de desejo

domingo, 1 de maio de 2016

Mãe é um sentimento


Sobrou-nos tempo
Porque nunca falta o tempo
Para saborearmos os tempos
A vida, as agruras as dificuldades
Os tempos de alegria
De vontade
De pertença
De esperança
De partilha
De vida
Esgotou-se o tempo
Mas sempre será tempo
De celebrar o tempo
Que juntos passámos.
Mãe é um sentimento

terça-feira, 26 de abril de 2016

Encoberto


Após os ínfimos momentos
de um inverno triste
amofinados na mortalha
da fina e rendilhada morrinha
que de forma persistente
possuía tudo o que ansiava
transformar em luz
o escuro imponente de um sussurro
liberto no esplendor da planície.

Da construção de versos se fez obra
E tudo ressuscita num poema
sob um sol de primavera envergonhada
pois que a vida se resume
ao infinito dos dias de maio

terça-feira, 19 de abril de 2016


Lá, onde a vista suporta a ilusão
Toda a existência era bebida
Num trago que embora efémero
Era eterno

Dos séculos que passaram
Retidos ficaram os sonhos

Não acaba numa geração
O que é eterno

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Ilha da saudade



No volátil sabor das palavras vãs
Sustidas no estremecimento
De um silêncio oculto pelo
Pleno sussurrar das searas
Em dias em que o esquecimento
Imperou sobre todos os males
E ao fundo, nas entranhas de uma ilha
Chamada saudade, repouso
A Lembrança
Hoje só o sossego tem lugar

No canto onde se guardam os tesouros

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Clareira


Não me refugio no ventre do estio
Embora por vezes o cansaço
Me force a repousar na imensidão
De coisas que outrora foram limbo
Força-me o brilho da sombra a prosseguir
Recusam-se os nervos e a vontade
Na clareira basta da pacatez
Rodeada da imensidão da floresta
Onde agora se perde a lembrança
Do sol que emergia em vigor
E da frescura que um traço
Um timbre
Um gesto
Fazia emergir

O sobrenatural sob o crepúsculo

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Equação indeterminada


Queria ser do infinito pertença
Correr nos limites de um conjunto vazio
Ser a interseção de um volume abstrato
Resultado de equação indeterminada
Resto de um quociente divisível
A tender para um ponto indefinível
Cujas coordenadas se projetam
Num plano sem pontos de referência
Tangente a uma curva sem raio
Presente apenas nos momentos
Em que o domínio da consciência é

geométrico

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Os sons do silêncio



Sentado, ouvindo o som de um pássaro
que livre dizimava a solidão
de todos aqueles que em redor
apertados no espartilho de dias perdidos
buscavam a aurora esbatida
das manhãs que tardavam em ser dia

Levantou-se, cismado no silêncio
olhando em redor o horizonte
não havia cor, brilho, prado ou monte
das paredes brotava o som estridente
o murmúrio dos momentos
não lamentos
mas vida que se fez de agitação

Sentou-se de novo
se paz em algum mundo havia

toda aí estava concentrada

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Um conjunto de Nada


O tecido em que se estampou a artimanha
Tinha por base a honradez
Tecida com fios de bondade
Cosido por laivos de inocência
Bordado em singelas nervuras de encanto
De tímidos recortes debruado
Na singeleza de um sorriso embainhado
Era um todo de ironia almofadado
Engano puro, embuste traiçoeira
Vã rasteira, fútil presunção
Afinal era só pérfida ilusão
Rematada por mesquinha
Rasteira e vil soberba
Era um vazio conjunto de

Nada

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Fraga da Ventosa


Amigos, criei este rótulo para um vinho que produzi este ano.
A vossa opinião era muito bem vinda, quer sobre o texto, imagem e grafismo.
Obrigado.