A
nostalgia dos meses anteriores, a triste alegria, porque efémera, de quem
antevê um futuro implacável, um prenúncio de cessação de direitos, um confronto
com o real, indecifrável e invencível mundo que o esperava. Tudo isto criava em
si um efeito anestésico das amarguras atuais. A raiva bloqueava os sentidos,
limitava a dor e a revolta.
Do vento,
uivando lá fora, que o frio trazia, nada esperava. No meio das mãos em concha, a
ilusão, no som do sorriso, a emoção. Por trás dos silvos das serras, a
lembrança, toda a que o infinito não apaga, perene, persistente e inabalável. Sabe-se,
não se prescreve, resiste
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
Do cume da incerteza
Mas
até no recôndito limite da incerteza se encontram energias para alimentar a
esperança. E essa vinha essencialmente, gratuita e inevitável, das leis da astrofísica.
Os dias cada vez maiores, a neve a derreter no cume das serras, as frieiras a
desaparecerem e o cheiro a Primavera a aproximar-se. Assim, grátis, servido
pelos deuses sem contra indicações, surgiam os primeiros sinais de que o pior
estava a passar. A primeira metade do ano em “exílio” estava a esgotar-se.
sexta-feira, 6 de julho de 2018
Vilares
Escorrem-me os sonhos por entre os montes
Nem sempre desaguam onde deviam
Pelas encostas crescem
Criam vida própria
Rebelam-se
Exigem tempo, presenças
Falam-me de outros tempos
Sussurram-me o teu nome
Vivem de ti
quinta-feira, 26 de abril de 2018
Um lugar
Sei de um lugar onde moram encantos
Onde os murmúrios lembram o desejo
Sente-se a beleza dos dias cálidos
Vê-se para lá do infinito
De lá se abarca uma vida
Circunscreve-se o sentir
Sabe-se que lá é o paraíso
E lá um dia voltaremos
Porque de voltar é feita a vida
domingo, 18 de março de 2018
Paridade
Escrevo, corrijo, apago
Desisto, fujo, em vão
Começo, recomeço
Desenho, soletro
Algo mais que um risco
Uma palavra, uma frase
E porquê?
Que há assim tão importante por dizer?
Tudo, nada
Nada é preciso escrever
Lês-me numa folha em branco
Desvendas-me mesmo sem me ler
sexta-feira, 9 de março de 2018
Escreve-me
Escreve
Escreve-me na mão trovas do teu imaginário
Dos dias bons, dos menos bons, assim-assim
Da euforia, da tristeza, da alegoria figurada
Escreve
Nem que seja de momentos imaginados
De sugestões, de conselhos, comentários
observações que a mim nunca chegaram
Escreve
Conta-me de ti, das tuas horas
Dos segundos que ecoam nos murmúrios da ausência
Da beleza de um sorriso provocado
Da lástima de uma lágrima reprimida
Escreve-me
Sempre que a ventura te sorria, escreve-me
Se na des(ventura) tropeçaste, escreve-me
Mas, escreve, pois sabes que te leio nas estrelas
Sabes que te leio
Mesmo quando não me escreves
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
Fim de época
Não me revejo em dias cinzentos
A pele do tempo húmido não me assenta
Sou sol, tempo seco, brisa ligeira
Vivo de horas de luz, de noites curtas
De ocasos que se perdem no horizonte
Nunca nasceu em mim o Natal
Não visto esse fato nem em festas
Estes dias que se esgotam em cores cinzentas
Se comprimem num torpor de fim de época
Alguma coisa nova trazem
O Sol de um novo ano, os dias longos.
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