terça-feira, 9 de agosto de 2016

Não é aqui





Sou um ponto no caminho que percorro
No meio da encruzilhada
tento decifrar as referências
Será aqui
onde os duendes esconderam
sob um manto tépido
o mapa que me indique o regresso
ao tumulto de um dia quente
De onde se aviste um mar
pintado de vibrantes címbalos
anunciando a aurora desejada

Não, viro costas, não é aqui!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Sinuosidades



Nas linhas sinuosas de um fim de tarde
transportado na brisa que insiste em me acordar
contorno a imensidão de uma tarde de verão
retendo o sabor a vinha, a rio, a lembrança.

Todo o mundo cabe na imagem de um sorriso
recortado na difusa imagem de um dia quente!

domingo, 19 de junho de 2016

Somos montes



Somos montes
Juntos, construímos montanhas
Entre nós,
por curvas, estreitos, cascatas
desalentos,
corre a esperança

Em breve seremos mar

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Sob um céu azul divino


Cai um manto de vontade
sobre o vago e abrangente desígnio
de todo o horizonte possuir

Lembra ecos
de um entardecer longínquo

Das ondas
desenhando em tons rubros
a convicção do crepúsculo conquistar

Na firme certeza
contando estrelas
de fazer o destino ajoelhar

Na teia serpenteante
dos incontáveis tons
saber que um dia
serão nossos

Os sonhos condensados
numa brisa de desejo

domingo, 1 de maio de 2016

Mãe é um sentimento


Sobrou-nos tempo
Porque nunca falta o tempo
Para saborearmos os tempos
A vida, as agruras as dificuldades
Os tempos de alegria
De vontade
De pertença
De esperança
De partilha
De vida
Esgotou-se o tempo
Mas sempre será tempo
De celebrar o tempo
Que juntos passámos.
Mãe é um sentimento

terça-feira, 26 de abril de 2016

Encoberto


Após os ínfimos momentos
de um inverno triste
amofinados na mortalha
da fina e rendilhada morrinha
que de forma persistente
possuía tudo o que ansiava
transformar em luz
o escuro imponente de um sussurro
liberto no esplendor da planície.

Da construção de versos se fez obra
E tudo ressuscita num poema
sob um sol de primavera envergonhada
pois que a vida se resume
ao infinito dos dias de maio

terça-feira, 19 de abril de 2016


Lá, onde a vista suporta a ilusão
Toda a existência era bebida
Num trago que embora efémero
Era eterno

Dos séculos que passaram
Retidos ficaram os sonhos

Não acaba numa geração
O que é eterno