terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Do sinceno, a carambina


Despeço-me

Não que um dia tenha almejado
do sinceno retirar a escuridão
do frio húmido de inverno
respirar o inebriante gelo 
tornado em elegante carambina

Não, apenas busquei
dos dias calmos 
tomar a imensidão
E das cores do nordeste 
fazer um colar de recordações.

Adeus 2016

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Foste luz


Por entre as linhas divisórias da ilusão
Lá onde o horizonte é infinito
Uma lua esbracejava por chegar
Ao limite da ilusão de um sopro efémero
Mas, típica, matreira e persistente bruma
Travavam a ousadia da vontade
Sobrou então em euforia
O que até ali transbordava em desencanto
Fundiu-se o desejo
Soçobrou perante a noite a tirania
Sucumbiu à vontade das estrelas

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O segredo



Entre o longe e o escuro
Esconde-se
Um sem fim de ilusões

De umas, resulta nada
De outras
O infinito

De ambas, a necessidade
De perseguir, num fôlego
O que a vida nos tem escondido
Atrás de uma pincelada
Mirrada por mil anos
De espera

Um sem fim de segredos

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Supremo


Carece de necessidade
a busca do infinito
quando à nossa volta
supremo
brilha por toda a parte
o paraíso

De coisas simples
se fazem
eternas alegrias

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Não é aqui





Sou um ponto no caminho que percorro
No meio da encruzilhada
tento decifrar as referências
Será aqui
onde os duendes esconderam
sob um manto tépido
o mapa que me indique o regresso
ao tumulto de um dia quente
De onde se aviste um mar
pintado de vibrantes címbalos
anunciando a aurora desejada

Não, viro costas, não é aqui!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Sinuosidades



Nas linhas sinuosas de um fim de tarde
transportado na brisa que insiste em me acordar
contorno a imensidão de uma tarde de verão
retendo o sabor a vinha, a rio, a lembrança.

Todo o mundo cabe na imagem de um sorriso
recortado na difusa imagem de um dia quente!

domingo, 19 de junho de 2016

Somos montes



Somos montes
Juntos, construímos montanhas
Entre nós,
por curvas, estreitos, cascatas
desalentos,
corre a esperança

Em breve seremos mar