quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Inverno


Não há um inverno de sentir
Nos dias de um ano que se acaba
Transportado ao som do movimento
Das folhas que castanhas se tornaram
e planando num bailado ensaiado
deixaram despida a esperança
Caindo em solo enrijecido
pelo belo, agreste e falso gelo

Há, sim, dias de chuva intensa
Que alimentam o caudal da nostalgia
Desaguam na torrente da lembrança
E com a turbulência dos festejos
Provocam cheias de vazio

Não há um inverno de sentir
Senão muitos dias de desejo

11 comentários:

trepadeira disse...

A aguardar pelos alvores da Primavera.

Abraço,

mário

Lídia Borges disse...


"Cai neve na Natureza e cai no meu coração"
Era assim que dizia Augusto Gil, não era.

Muito perto dos olhos, da alma.

Beijo meu

Suzete Brainer disse...

Belíssimo!

O canto do inverno,acompanhado

pela trilha da chuva,no bailar

das folhas que inscrevem

um sentir da morada da alma,

bem profundo e nostálgico...

Feliz 2014!

Repleto de voo poético...

Abraço,Armando!

© Piedade Araújo Sol disse...

que poema tão bonito a abrir o Ano.

parabéns, e que essa inspiração perdure pelos tempos.

a nostalgia faz sempre parte de nós(depois das festas).

bom ano de 2014.

beijos

:)

Mar Arável disse...

é urgente acordar relâmpagos

abraço poeta

manuela barroso disse...

Um inverno assim, é mesmo belo!
Ano Bom.
Beijo

G- Souto disse...

Um Inverno bem profundo, nostálgico.
Daí preferir a primavera.

Bom Ano!

Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

Existe sempre nesta poesia uma penumbra oscilante de nostalgia com paixão/desejo! Eis mais um poema a certificá-lo!

Um abraço

Rita disse...

Armando,foi bom vir ao encontro deste poema que faz chover nostalgia.

Um excelente ano. Beijinho

Alda Luisa Pinheiro disse...

Nem o ácido do tempo dissolve a dura saudade...Mas se há saudade,
é porque houve alegria.
Se há nostalgia,
é porque existiu felicidade.
Parabéns por mais um excelente escrito e obrigada pela partilha!
Bom Ano

Canto da Boca disse...

Senti o tom nostálgico em todas as metáforas deste poema, que também me encheram de nostalgia, e como num filme, as imagens foram passando diante da bruma da minha saudade!

Belíssimo, Armando, emocionei-me profundamente...