quinta-feira, 15 de maio de 2014

Tangível


Consulto o calendário intemporal
Das horas que vivemos sem saber
Do tempo que infinito imaginava
Embora contado em minutos
De um todo que era apenas
Uma ínfima parte do prazer

Consumimos os segundos dos momentos
Que a areia branca acolhia
E em palavras entrecortadas
O vento contrafeito sussurrava

Perdia-me num refúgio imaginário
Convertido no único sentido possível
Que os dias podiam almejar

Seria assim tangível o irreal
Ou a vontade de o infinito alcançar?

8 comentários:

Lídia Borges disse...


A irrealidade do tangível "tem razões que a razão desconhece".
Desejos de eternidade na finitude dos momentos por desdobrar.

Um beijo

rosa-branca disse...

Maravilhoso meu amigo. Adorei. Beijos com carinho

© Piedade Araújo Sol disse...

irreal ou não, é bom viver e sonhar nossos sonhos...

muito belo!

:)

Suzete Brainer disse...

Todo poeta precisa da matéria

dos sonhos,decifrado ou não

pelas palavras.Os sonhos

(imaginário) emana o encanto

na poesia...

Sempre encantadamente belo!

Mar Arável disse...

Linhas paralelas

que se tangem

Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

Wow, belíssimo!
Um rasgo certeiro na beleza do poema...

abraço

Pérola disse...

O tangível nem sempre depende de nós.

Questões que a poesia resolve.

Gostei da cadência.

Beijo

EU disse...

No recolhimento de um diálogo silencioso, o tempo e o espaço são colocados fora de nós. E aí nasce o mais intenso sentir poético.
O teu poema situa-se nesse patamar.
Bjo, amigo :)