Não quero que os meus erros flutuem
para nunca se esquecerem, como sempre
se um dia houve, não um somente,
em que tão só a dúvida persistiu
Breve, leve, seguiu com a corrente
desdenhada, enjeitada, assim partiu
mas como morta ainda não estava
foi fácil e instantâneo o seu brotar
O espanto de então a ver voltar
questionar se a dúvida é legítima,
se tudo é mera ficção
ou certeza será apenas recordar
E para lá do infinito horizonte
onde tédio e medo se escondem
aí ela persiste em resistir,
na firme e inabalável sensatez
que a certeza reside em duvidar


