terça-feira, 1 de outubro de 2013

Simetrias




Sentei-me à janela do tempo
Não me lembro de quando me encontrei
Se no limite do ocaso
Num silvo do medo
Num pingo de chuva fora de tempo
Na fresca gota de orvalho
Ou apenas pela rua divagando

Abrigado pela sombra de um vento desmedido
Entre os secos ramos da solidão perdido
Envolto na penumbra de um destino inacabado

Fechei de novo a portada
Regressei a um tempo que controlo
Na folha despejei mais uns suspiros
Do copo sorvi um novo fôlego
E do calor do fogo um novo alento

Lá fora cai a chuva de outono
Batida pelo vento que alimenta
cá dentro o fogo do encanto

8 comentários:

O Puma disse...

Tudo se move no ciclo das marés

Lídia Borges disse...


Na nostalgia amena das primeira chuvas, as simetrias que nos fazem diversos.

Um beijo

trepadeira disse...

Todos os outonos podem ser primaveras de esperança.

Abraço,

mário

© Piedade Araújo Sol disse...

nostálgico mas impregnado de serenidade...

muito bom.

a imagem perfeita!

beijo

:)

Pérola disse...

Uma janela com paisagem privilegiada.

Beijo


Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

...quando os sentimentos se misturam em sensações, é porque o mar está prestes a começar :)

Um abraço

G- Souto disse...

As sintonias existem, mesmo quando não temos conhecimento delas.

O Outono! Apenas a diferença do(s) tempo(s). Este num primeiro tempo de Outono que nos atormentou. Um outro, o meu, num curto tempo de doce Outono... que parece estar desaparecendo.

Gostei profundamente do poema. A nostalgia na serenidade do ser.

Foi bom vêlo de novo em fragmentos ! Agradeço a presença amistosa na conversa das ideias.

Canto da Boca disse...

A poesia brota como os pingos de chuva do outono, e toda a imensa paisagem que vês na janela do tempo, descortina-se também à nossa frente.
Somos todos testemunhas e cúmplices desse encantamento poético para o qual nos transportas com a sua sensibilidade!

Linda! Linda!

;))